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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Intellectual Topographies and the making of Citizenship

Molefi Kete Asante é um grande investigador no campo dos Estudos Africanos pelo que assistimos à sua apresentação acerca do caso de aceitação/repressão de diferentes culturas nos Estados Unidos da América.
Este começou por nos falar da escravatura do povo africano nos EUA, onde a violência era usada para impor o domínio.
No século XVIII havia a ideia de que o povo escravizado tinha de saber qual era o seu lugar e este nunca seria ao lado dos caucasianos.
No entanto a diferença não se vê sem ser na cor da pele, pois ambos têm as mesmas necessidades: respirar, comer e dormir.
Hoje em dia, já não existe escravatura, mas continua a existir racismo e xenofobia. Nomeadamente nos EUA há um problema com os mexicanos, um dos povos que mais tenta emigrar para o território norte-americano.
Segundo este investigador, os americanos não percebem que se este povo sai do seu país é porque algo não está bem neste. Devem tentar ajudar e não limitarem-se a expulsar.
O conferencista recorda-nos que não houve deuses que tivessem dividido os direitos entre raças. Estamos todos juntos, “somos vizinhos”, somos semelhantes.
Outra ideia importante a reter é a de que, frequentemente, a liberdade é vista como algo a que nós temos direito, mas os outros não. Isto leva-nos ao terrorismo.
Terror é uma mensagem que se quer transmitir, mas que causa danos.
É importante termos em conta os meios de comunicação que têm um papel tão importante na actualidade. Nomeadamente os meios digitais: através de um blog ou do facebook, por exemplo, podemos espalhar a nossa identidade. Estes espaços servem para conhecer pessoas de diferentes culturas (são espaços interculturais).
Aqui podemos ouvir estas “as suas diferenças” e entender as suas culturas e os seus pontos de vista, esquecendo ideias erradas que podíamos ter anteriormente.
Temos a oportunidade de contactar com “a diferença” e compreendê-la por nós próprios.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Conferência "Narratives of Mourning in Portugal"

A conferência “Narratives of Mourning in Portugal”, integrada no âmbito da I CECC Graduate Conference in Cultural Studies “Panic and Mourning”, teve como oradores Marina Pignatelli, professora no ISCSP, e Clara Saraiva, professora da Universidade Nova de Lisboa.
“Refugee jews in Lisbon: memories and hopes after the shoah” , tema apresentado por Marina Pignatelli, baseou-se em entrevistas que esta fez a judeus que viveram o holocausto e que vivem neste momento em Portugal.
A revelação de parte das entrevistas/testemunhos destes sobreviventes do holocausto mostrou todas as dificuldades por que passaram para poderem chegar a Portugal antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Os dez testemunhos que foram dados a conhecer falam de histórias de famílias de diferentes países da Europa que estiveram separadas para que pudessem chegar a um país que lhes desse protecção numa altura em que a perseguição aos judeus foi mais forte do que nunca. Desde um pai que já vivia em Portugal e que mandou a família, que vivia na Alemanha, vir para Portugal depois de ser atacada e ameaçada por nazis, uma família que vivia na Áustria e que vai ao consolado português implorar para que lhes dessem uma autorização para se refugiarem no nosso país, pessoas que mais tarde em Portugal tiveram problemas com a PIDE devido à sua origem judaica, pessoas que viram os pais morrerem em câmaras de gás na Alemanha.
Estes judeus que se refugiaram em Portugal estavam inseridos em comunidades nas Caldas da Rainha, Cúria e Ericeira. Nestas comunidades encontravam outros judeus de outros países do resto da Europa e que também ali se refugiavam, no entanto não se podiam afastar mais de 5km do local onde estavam inseridos, ou seja, para virem a Lisboa, por exemplo, tinham que pedir uma autorização especial.
Destes testemunhos o importante a reter são as dificuldades de integração em Portugal e as memórias ainda muito frescas de uma época de enorme e especial sofrimento para o povo judeu, uma época que ficará marcada para o resto da história deste povo em específico.
Clara Saraiva apresentou o tema “The inivisibility of death among immigrant populations in Portugal”, que revelou o estudo em campo dos rituais funerários na Guiné-Bissau. Este tema teve como objecto de estudo os processos de luto das pessoas de origem guineense que vieram viver para Portugal e aqui morrem.
Estas pessoas pertencem à tribo Pepel e acreditam que existem entidades superiores/espíritos que estão em todos os lugares. Foi apresentada os rituais funerários feitos em Bissau e o objectivo seria pensar na concepção de morte para estas pessoas e a concepção do mundo dos vivos e o mundo dos mortos, a conexão entre estes dois mundos para estas pessoas.
O problema para os imigrantes guineenses em Portugal põe-se com o facto de não poderem cumprir com estes rituais no nosso país, não podem fazer cerimónias de 3, 4, 5, 6 dias se necessário, não podem matar animais no meio da rua, e uma outra série de coisas que fazem parte dos seus rituais. O projecto liderado por Clara Saraiva pretende ajudar estas pessoas a desmistificarem aquilo que significa morrerem longe de casa, pois a sua questão central é a relação entre os mortos e os vivos, o facto de terem obrigações para com os seus antepassados e se não as cumprirem vão ter problemas, porque os seus espíritos estão em todo o lado.
A relação entre estes dois case-studies tem que ver com a história e as memórias. Os judeus que ainda questionam o seu papel no mundo, devido ao terrível ataque que sofreram e que pôs em causa a sua religião e consequentemente a sua forma de estar no mundo, os seus documentos sagrados antigos que foram simplesmente escondidos e destruídos. Quanto à tribo que habita a capital da Guiné-Bissau coloca-se a questão dos cemitérios como história e memória de qualquer comunidade do mundo e que para eles torna-se demasiado difícil devido aos seus legítimos rituais.