José Rueda apresenta a televisão como um instrumento fundamental para a transmissão de memórias.
Como introdução referiu-se à proliferação da memória, da recordação e à saturação destas, como aquilo que se vive na actualidade (segundo T. Todorov e R. Robin).
Por exemplo, nos países da Europa de Leste existe a memória constante acerca do socialismo (fala-se da política, da ideologia e de mitos).
As pessoas procuram memórias traumáticas e, a partir destas, falam da história.
E o que podemos definir como memória? Quando falamos em memória falamos muito do conceito memória colectiva. O autor Ruiz Vargas diz que a memória colectiva não pode ser objecto de investigação, falando da memória individual – cada um tem a sua vivência. Todos pensamos e é a memória individual que nos permite recordar a nossa história, quem somos, de onde vimos, ou seja, lembramo-nos da nossa identidade.
Esta memória é fruto da interacção social. Recordar significa narrar, ou seja, exige comunicação.
Monzano, um historiador, refere-se à história como passado que não necessita do presente para ser compreendida, sendo auto-suficiente. Mas esta ideia é muito contrariada hoje em dia, pois a memória é vista como parte do passado para analisar o presente e vice-versa, ou seja, para analisarmos o passado temos de recorrer ao presente.
Os meios de comunicação apresentam-se com o papel de produzir e difundir no meio social: na sociedade.
Há poucos estudos acerca da representação histórica da Televisão, no entanto, este é um meio de comunicação muito utilizado. Os programas que esta passa acerca da história são transmitidos em horário prime-time. Apesar do esforço deste meio de comunicação para passar informação histórica, as pessoas ainda aprendem histórias através dos filmes, películas feitas para explicar episódios históricos.
As séries e mini-séries têm ganho espaço nas audiências, pois é de fácil acesso e é barato de se produzir. Em Espanha e em Portugal, um dos exemplos mais conhecidos deste tipo de relato histórico é o Cuéntame como paso, ou Conta-me como foi, em português. Esta série relata os anos do Franquismo e do Salazarismo, respectivamente, dando uma ideia do que aconteceu nestes regimes.
No caso específico de Portugal, a memória histórica é mais explorada pela RTP, canal de televisão público. Este ano têm existido várias mini-séries neste e noutros canais, no contexto das comemorações do Centenário da República.

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