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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Moralidade vs Media ?

Vimos agora apresentar o nosso primeiro trabalho de análise. Este consiste no estudo de excertos de obras, ou artigos, com base nos seguintes tópicos: Os media e o crescimento da cultura de massas/ cultura popular; os problemas inerentes a esta cultura principalmente no que diz respeito ao caso das crianças, mais facilmente afectadas.

Eduardo Prado Coelho revela que a multimédia é apenas uma forma de nos “encostarmos”, de deixarmos que vídeos ou músicas falem por nós e fiquemos em silêncio, trata-se apenas de uma facilitação de toda a nossa comunicação principalmente para aqueles que não têm um grande à vontade para expor as suas ideias.
A Revista Pública, num dos seus artigos, contraria um pouco esta teoria porque remete-nos à ideia de que apesar de, hoje em dia as crianças estarem muito habituadas à televisão e a toda a sua rapidez, existem certas competências que não estão a ser exploradas da melhor forma. Falta um meio-termo para a comunicação e o desenvolvimento destas novas competências adquiridas. Por mais que toda a multimédia nos facilite a comunicação esta, também tem o poder de aumentar competências que nem sequer a escola se apercebe que existem.
Como afirma Dulce Gonçalves, muitas crianças têm uma óptima atenção dispersa, estando mais aptos a lidar com grandes quantidades de informação, mas não têm uma boa atenção focalizada, sendo incapazes de lidar com tarefas que exijam tempo e concentração, como os trabalhos da escola.
A atenção depende em muito da escolha que tem de ser feita, ao que as crianças escolhem dar atenção.
Emílio Salgueiro, um psiquiatra e psicanalista, protesta que se vejam estes problemas de atenção como sendo uma doença.
Ele defende que estas desordens de atenção, que já afectam entre 3 a 5% da população escolar (entre 35 mil a 50 mil crianças), têm um fundamento genético mas devem-se, em grande parte, ao meio-ambiente que rodeia a criança.
Os distúrbios são mais frequentes em crianças que tenham um dos pais que tenha a mesma desordem.
Pedro Cabral, um neuropediatra do Hospital São Francisco Xavier afirma que não existe um “aumento real” no número de casos deste problema. O que se passou foi que o problema passou a ter mais visibilidade através de: os actuais ritmos desadequados de aulas, com 90 minutos, o maior número actual de crianças a frequentar a escola e todos com um mesmo objectivo - entrar na faculdade. O resultado é o insucesso escolar crescente.
Para complicar a situação, a sociedade está mais desorganizada e as crianças entregues a elas próprias.
Não existe um incentivo à leitura de histórias com a família e as crianças passam grande parte do tempo a ver televisão ou a ler histórias rápidas, que nunca serão moldes e não obrigam as crianças a criar conexões, ajudando a desenvolver capacidade de concentração e focagem.
A actual “sociedade acelerada”em nada beneficia a situação de desconcentração das crianças.
Pedro Cabral fala ainda de importância de ajudar as crianças que sofrem de hiperactividade, sendo este um distúrbio e um dos casos mais críticos de falta de atenção. Este deveria ser ajudado com instrumentos que não exclusivamente a medicação, que tem sido receitada com grande excessividade. Temos de nos aperceber realmente das causas do problema e arranjar soluções a partir destas.
No livro “Tudo o que é mau faz bem”, de Steven Johnson, muitos autores dizem que a sociedade está cada vez mais infantilizada, mas George Will diz que estamos numa cultura de massas mais sofisticada e mais exigente, sendo feita uma “lavagem ao cérebro positiva”, pois os meios de comunicação popular tornam a nossa mente mais aguçada, fazendo-nos mergulhar cada vez mais em tipos de entretenimento.
Esta tendência tem como nome a “Curva de Sleeper”, a força matriz mais importante para o desenvolvimento mental dos jovens, que desenvolve faculdades cognitivas em vez de as limitar.
Por outro lado, na opinião de Parents Television Council, “A indústria do entretenimento foi longe demais”, os seus conteúdos televisivos enviam uma mensagem negativa à juventude americana (cria uma sociedade desprovida de civismo). Os termos dominantes são o declínio e a atrofia.
“Somos uma nação de dependentes de reality shows e viciados em Nintendo”.
A questão central aqui em debate é se os media são bons ou prejudiciais para nós. O contra-argumento habitual é de que os media têm ganho em realismo o que têm perdido em clareza moral, isto é: o importante não é o facto de os programas de televisão e/ou jogos de vídeo terem um impacto positivo ou negativo, mas sim um raciocínio que extraímos perante uma experiência cultural.

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